A vida não é um problema a ser resolvido e sim um mistério a ser experimentado".(Joseph Campbell)

terça-feira, 3 de abril de 2012

LOBISOMENS, EXISTEM OU NÃO?


LENDAS E RUMORES
 Que pode transformar um homem num lobo? Existe além da crença popular alguma razão para essa afirmação? Que significa a palavra licantropia? A palavra tem origem num vocábulo grego composto de Lykos [lobo] e tropos [forma]. A crença de que determinados homens podiam se transformar em lobisomens, era atrIbuída na Idade Média à bruxaria. Durante toda a Idade Média acreditou-se nesta transformação. Supunha-se que esses lobos eram feiticeiras, possuídas do segredo de se transformarem em bestas, graças aos seus poderes mágicos. Milhares de pessoas, supostas de se entregarem a essas metamorfoses diabólicas, foram queimadas nesse período. Queimaram-se até mesmo alguns “espíritos mais fortes”  que se recusaram a aceitar a existência dos lobisomens como um tal Guilherme de Lure em Poitiers, na França, segundo relato do escritor francês  Ruffat em La Superstition à travers lês ages (1977). Em 1573 um decreto do parlamento de Dôle na França, [região do Jura, perto da fronteira com a Suiça] determinavam que fossem abatidos os lobisomens. Claude Seignolle em Lês evangiles du Diable (1967) conta que no Perigord [perto de Burdeos] determinados homens, notadamente os filhos de padres, eram forçados, a cada lua cheia, a se transformarem em lobisomens. Era nessa noite que o mal os atingia. Eles só retornavam à forma humana depois de terem agredido ou assassinado suas vítimas. Existe alguma realidade nestes relatos? Seguramente a transformação do homem em lobo jamais existiu, mas temos fatos até recentes que nos oferecem certas explicações. O mais famoso licântropo de que temos referências históricas é o rei armênio Tiridat III (287- 330?), que foi curado pelo patriarca Gregório, o Iluminador. Mas escutemos a medicina atual.

     LICANTROPIA: 
Existe uma doença da qual temos alguns relatos históricos que confirmam esta crença. No castelo de Ambras, perto de Innsbruck, no Tirol austríaco, se conservam vários quadros que representam um adulto e duas crianças com o rosto coberto de cabelos e uma expressão feroz. Não são mitos ou imagens. Os protagonistas destes retratos viveram realmente. O adulto chamava-se Pedro González e nasceu no seio de uma família, acomodada faz 400 anos, das ilhas Canárias. Apenas alcançada a puberdade, experimentou os sintomas de um hirsutismo feroz, uma hipertricose [crescimento de pelos anormal do grego thrichós gernitivo de thrix pelo] desmesurada que cobriu inteiramente seu corpo de pelos. O hirsutismo é o aumento de pelos terminais como os pelos da barba masculinos. Pode acompanhar uma anormalidade endócrina. A hipertricose é o aumento de pelos locais sem causa hormonal e sem predileção especial por lugar de aparecimento. Pode ser idiopático [sem causa notável] ou decorrente de doenças ou remédios. Voltando ao nosso Pedro, como resultado de sua enfermidade todos se afastavam dele. O chamavam feto do diabo, aborto do inferno etc. Aos 25 anos viajou a Paris donde diziam havia um doutor que poderia curar sua doença. Não deu certo. As pessoas fugiam atemorizadas, as crianças choravam ao vê-lo, e os cachorros o perseguiam latindo. Somente uma mulher teve compaixão dele e devido à sua doçura e carinho recuperou a auto-estima e casou com ela. Mas o drama continuou porque os dois filhos nasceram com a mesma enfermidade por herdar os genes paternos. Recorreu nosso Pedro ao professor Félix Plater de Basiléia, um dos melhores especialistas da época. Mas tudo foi inútil. Não houve outro jeito a não ser se tornarem bobos da corte do Imperador Fernando II da Áustria que mandou imortaliza-los em respectivas pinturas à óleo.
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